Há quase 4 anos entrei na blogosfera com um blog que, assim como este, também se chamava “Polly alguma coisa” (já comentei algumas vezes que esse “Polly” vem de uma música do Nirvana). Já estou no 3º blog e evoluí muito, mas uma coisa não mudou nem mesmo depois dos meus posts publicados no Tudo de Blog da Capricho: minha vida blogueira é um segredo. Os únicos amigos que sabem da existência disso tudo aqui são aqueles que também possuem blog. E tenho certeza de que pelo menos umas 3 grandes amigas ficarão furiosas comigo quando descobrirem esse segredinho. Pode até ser besteira, palhaçada minha, mas não gosto de ver parentes e amigos próximos lendo o que escrevo. Eu me sinto muito estranha. Ok, também não é legal sentir que estou escondendo algo que não precisaria esconder... Raramente falo de pessoas queridas (ou não) por aqui. Não há nada de cruel, errado ou negativamente comprometedor nos meus posts. Só que aqui abro meu coração e mostro minhas opiniões sem preocupação. Expor tudo isso para quem me julga de perto me parece mais difícil do que fazer o mesmo para blogueiros que não me conhecem, mas que talvez se comportem da mesma forma (reservada) que eu. Dá para entender essa loucura toda? A vida blogueira de mais alguém aí também é secreta?
Ok, vou fugir à regra e falar de uma pessoa querida...
Perfeita? Será mesmo?
Ela era a mais alta e a mais bonita, dona de cabelos castanhos muito longos e de uma voz realmente marcante. Não só a voz. Ela era inteiramente marcante e vista como A PERFEITA, por isso despertava muita inveja. Era uma grande amiga na minha época de escola, minha companhia diária na volta para casa. Foi num início de tarde sem sol que eu descobri que ela andava ficando com o garoto de quem eu gostava. Ela não sabia dos meus sentimentos. Nunca soube. E o pior: só ficava com ele por ficar. Não aceitava os pedidos de namoro. Quase me juntei ao grupo das inconformadas com a superioridade dela. Era linda, maravilhosa e podia ter quem quisesse (e quem não quisesse!). Senti uma mistura de invejinha e ciúme, mas disfarcei. Nossa amizade era mais importante. Eu não poderia me deixar cegar pelo despeito. Tempos depois, percebi que ela e sua vida não eram tão perfeitas. Tinha problemas em casa, sofria com cólicas, não conseguia estudar História sozinha e não se sentia tão perfeita quanto as invejosas imaginavam. A tal perfeição era impressão nossa. Nós, as amigas e inimigas vítimas da invejinha besta, não deveríamos e não precisávamos ter colocado a nós mesmas numa posição inferior. Essa atitude aos poucos exterminava as chances de convivermos bem. Mas felizmente a ficha caiu: tratava-se de uma pessoa normal! Ok, talvez com um pouco mais de sorte do que a maioria...
(Texto para o Tudo de Blog)