A menininha que andava na ponta dos pés
De repente, a menininha decidiu que só andaria na ponta dos pés. Quase levitando, quase como uma bailarina. Da ponta dos pés era possível enxergar um mundo novo, diferente. Preocupada, sua mãe a levou ao médico, que logo explicou que não havia nenhum problema físico: andar daquele jeito era só uma mania boba. Recomendou que levasse a menininha para caminhar na praia, pois lá não conseguiria ficar na ponta dos pés e, depois de um tempo, voltaria a andar normalmente. Chegando à praia, os pezinhos bem que tentaram se erguer, mas sempre afundavam na areia. Num primeiro momento, foi irritante não poder ficar no alto (incrível como alguns centímetros faziam diferença!). Os sonhos pendurados no céu, os objetos nas mãos das pessoas, tudo parecia mais distante. Alguns minutos depois, porém, a menininha começou a gostar de sentir a areia fininha na sola de seus pés. Era gostoso ver a areia entrando entre os dedinhos. E foi assim que a menininha percebeu que não precisa ficar na ponta dos pés. É possível ser feliz com os pés bem presos ao chão.
(É, essa é a minha história. Metade versão da minha mãe, metade minha versão. Eu tinha uns 2 anos).

 



2.1
Então, cheguei aos 2.1. Muito tarde para ganhar a Barbie-Cinderela-Rosa-Princesa-do-Vale-das-Borboletas-Brilhantes. Muito cedo para cantar “22” da Lily Allen (“When she was 22 the future looked bright…”). Foi difícil chegar ao topo desta montanha, mas, agora que estou no alto, tudo parece mais simples. Os problemas parecem menores, os dias não parecem ter se arrastado tanto. A montanha dos 2.1 não parece tão assustadora. Ok, vou deixar o momento alpinista de lado. Tão clichê quanto o parabéns-pra-você-nesta-data-querida é dizer que uma nova idade é um recomeço. Não vou fugir do clichê pois realmente acredito que, com a nova idade, recebo uma nova oportunidade de me reinventar, corrigir erros, correr mais riscos e me esforçar (ainda) mais. A insegurança e muitos medos nascidos com minha versão 2.0 se perderam no meio de uma neblina. Agora só consigo ver o amadurecimento e as vitórias que alegraram minha vida nesse 1 ano que se passou. É hora de olhar pra frente, encarar os novos desafios e absorver todas as lições que eu puder. Tenho uma nova montanha para escalar!! Ta, parei com isso...

 

 

Ah, o cartão vermelho que dei no post passado saiu no

http://capricho.abril.com.br/blogs/tudodeblog/