Sempre que digo que faço faculdade de História, preciso me preparar psicologicamente para ouvir as seguintes besteiras:
1-Ah, está fazendo História porque não sabe fazer cálculos!
2-E pra que serve História?
3-Mas você quer mesmo ser professora?
4-Você não vai ganhar nada. Vai morrer de fome!
5-Deve ser um curso fácil. É só ler!
6-Quando foi que Napoleão fez não sei o quê?
7-Já virou comunista?
8-Já está fumando maconha?
9-Já parou de tomar banho?
10-Cadê sua blusa do Che Guevara?
Essas questões típicas que os chatos usam para torturar e rotular os estudantes de História estão cheias de preconceitos. Em primeiro lugar, sempre fui boa em Matemática e Física. Meu curso não é só leitura. Precisamos fazer análises o tempo todo. Interpretar e refletir sobre certos autores não é tarefa fácil, muito menos quando cada professor resolve passar 40, 50 páginas (no mínimo) por semana. Não sou comunista, nem marxista, nem derivados e semelhantes. Historiador não é sinônimo de maconheiro. Maconha pra mim é uma coisa tosca. Historiador também não é sinônimo de calendário, então não vou saber quando foi que Napoleão subiu num cavalo branco pela primeira vez. Preciso de uma disciplina que me ajude a ser mais paciente com a ignorância e a falta de respeito com a escolha profissional das pessoas...
O maravilhoso mundo dos sebos
Sempre que saio meio estressada de uma aula, dou uma passadinha numa rua que reúne um bom número de sebos. É um pequeno e doce prazer passear calmamente entre as prateleiras de livros antigos enquanto o mundo lá fora continua acelerado. Dentro do sebo, esqueço temporariamente todos os problemas! Gosto de ler os títulos, conhecer novos escritores, procurar clássicos da literatura, fazer cara feia para alguns livros bobos e elogiar os preços baixos. O cheirinho de livro velho, as centenas de páginas já amareladas, as anotações nas margens, as dedicatórias e as capas despencando despertam minha curiosidade e fazem minha imaginação voar até a pessoa que resolveu deixar seu livro ali. Por quantas mãos passaram aquele livro na estante à minha esquerda? Aquele livro ali marcou a vida de quem? Mesmo que eu não encontre um livro para comprar, a ida ao sebo nunca é perda de tempo! É no sebo que consigo relaxar e sentir que a vida é uma delícia. O sebo é o mundo encantado no qual eu adoraria me perder.
(Texto para o Tudo de Blog)